Universo Fantástico
sábado, novembro 26, 2005
  A glória da vitória não está nos louros de tua coroa, mas no sangue de teus punhos...
A lança retirada de sua cintura fizera com o sangue escorresse e aumentara suas dores na perna. Ao tentar se apoiar nos joelhos, sua pernas fraquejaram e o chão que já se fazia escorregadio de tanto sangue o puxara mais uma vez. Ao cair peitoral de sua armadura se chocou fortemente contra seu próprio peito, o que fizera Pteros exclamar de dor.
Se mostrava agora de proste com os braços esticados tentando agüentar o peso do próprio corpo, o chão de mármore era tão liso e polido que conseguia enxergar seu reflexo mais adiante na parte em que a poça de sangue escarlate ainda não havia reclamado para si.
Mal se reconhecera, abatido, sujo, ferido, desarmado e a mercê da derrota iminente pelas mãos de um jovem guerreiro etrusco. Esse não era nem de perto o Pteros conhecido nas canções cantadas aos mais jovens, nem dos feitos admirados pelo mais velhos.
Talvez foram os atlantes...ele repetia, aquelas suas magias haviam feito algo com ele, talvez perderá sua força, talvez fora castigo dos deuses, eram os atlantes, eram os atlantes; ele repetia.
O jovem guerreiro se aproximava, pele de coloração que lembrava um vaso antes de ser cozido, sua vestimentas bélicas incluíam uma saia amarela ornada, um cinturão de cobre, peitoral de zinco pintado de vermelho e um escudo reluzente, com um símbolo de um daqueles deuses antigos, numa cor terracota bem forte.
De sua mão direita uma maça estreita, mas potente, pingava sangue, enquanto ele caminhava em direção a Pteros mais uma vez.
Estranhamente em sua face não mostrava feição nenhuma além de um breve sorriso entre os dentes, nada de aflição, medo, felicidade ou glória, apenas o sorriso. Esse sorriso naquele momento era o que o neburiano mais temia.
Quando o jovem etrusco decidira partir velozmente na direção de Pteros, esse desistiu de tentar levantar, se atirou ao chão e num rolamento em meio a possa de sangue conseguiu alcançar a sua lança a alguns palmos de distância.
O atacante diminuíra sua velocidade e decidira esperar que eu inimigo também se armasse...era justo.
Pteros agarrara sua lança com força. A apóiara por detrás dos calcanhares e se levanta num solavanco, um grito de dor rasgou o silencio do antigo templo. O Neburiano descobrira agora a dor de ter sua costelas quebradas..pela pressão de seu próprio peso, pela sua armadura que mostrava agora uma folga no flanco e pelo movimento das outras vértebras quebradas que literalmente dançavam em seu corpo nesse momento.
- Esperava mais de ti voraz viajante – Diz o jovem guerreiro incitando a fúria de Pteros
- Ainda posso acabar contigo com um único golpe, criador de vasos – Respondia o neburiano Pteros.
- Se entendo de vasos, posso dizer que vossa senhoria se encontra preste a rachar, Pteros das encostas de Neburia
- Um movimento em falso e serei obrigado a devolvê-lo a lama preimordial, jovem falastrão. Prepare-se, lhe transformarei em lembranças dentro em breve.
Os dois adversários se olham, entre eles três passos de distância e uma vigorosa possa rubra que teima em estender-se. Ouve-se apenas o gotejar do sangue...os pingos que caem de cabeça multifacetada da maça e os que escorrem do cinturão do neburiano.
Olhos fixos um no outro, semi-cerrados escuros e de sobrancelhas grossas o etrusco colocava seu broquel adiante do corpo.
Os cabelos quase alaranjados ondulados e presos num rabo, o suor, o sangue, os estilhaços e marcas da batalha faziam com que Pteros perdesse seu tradicional olhar firme de caçador e ganhasse um novo olhar, o olho direito muito aberto, obrigando o sangue do ferimento da testa a escorrer para outro lugar, o olho esquerdo muito fechado fazendo com que a lasca de flecha fincada na pálpebra doesse menos.
Se usássemos os critérios ferimentos para julgar essa batalha o neburiano com certeza sairia vitorioso, pois já vem machucado e cansado de muitos dias de marcha e de guerra, enquanto seu oponente o único defensor do templo local, parecesse impecavelmente em forma e sem nenhum arranhão. Azar de batalha, Quirion diria, azar de meu inimigos, quanto mais machucado mais furioso fico, diria Pteros, de uma forma ou de outra, eu diria, essa batalha está prestes a terminar.
Num movimento rápido o neburiano gira sua pesada lança de metal na frente do corpo e investe em direção ao etrusco. Este por sua vez a desvia com o broquel e avançado um passo desfere um golpe firme na clavícula de Pteros.
Pteros tenta revidar lançando seu pesado corpo numa investida contra seu ágil oponente, mas esta tentativa falha, pois o jovem defensor gira seu corpo rapidamente, dando por um momento as costas para seu adversário, para no instante seguinte o atingir com a afiada borda do escudo.
Com esse movimento o etrusco saira da frente do bravo Pteros que no exato momento da pancada desfalecia ao chão como grande coluna de pedra atingida por um tiro de balista, o leve tilintar da lança ecoa fino, apenas um pouco antes do pesado baque surdo do corpo do neburiano, ao atingir o chão também.
A ultima coisa que passa pela mente turva de Pteros antes de desfalecer, enquanto sua vista enrubrece e escurece ao mesmo tempo, é o lindo ondular preto dos cabelos daquela bonita jovem atlante na calmaria da praia..linda...ele ainda tenta praguejar algo em grego contra seu agressor, mas desmaia antes.Rugleasterrr..uhh.. foram as grandes ultimas palavras do fabuloso Pteros..algo como; ahhn....filho.. da...argggrrh,,......
Mas ele ainda haveria de se levantar...

7 meses e oito dias a incalculável viagem de Pteros o Inexpurgável.
 
sexta-feira, novembro 04, 2005
  Amanhã é meu aniversário!!!
Me deêm parabéns...
 

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- Lupus Magistra Aphorismu Chimaera - ... Quis custodiet ipsos custodes ... ... "Quem guardará os guardiões?"...

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